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Meu coração Mar … um conto

I – Sei lá?!

Sei lá! Talvez fosse a chuva que estivesse caindo lá fora, e com isso trouxesse lembranças, ou mesmo a instabilidade do momento. Mas o que não era certo era ver Sara daquela maneira, sem ter um caminho, ou mesmo momentos sem ter o que fazer.

Lá estava ela novamente pensando qual seria o próximo passo. Lembranças vieram em sua mente, lembranças de anos atrás, 1973, 12 anos de idade brincando com sua prima de faz-de-conta que esta casa é minha…

Era uma tarde quente de janeiro, após o almoço delicioso, o sol estava mais ameno e justificava uma saída das duas pra suas aventuras vespertinas, afinal, era férias, e brincar era a coisa mais gostosa a fazer.

Tudo era aventura, pegar a bicicleta, colocar uma sacola um lanche, uma esteira, ou toalha, algo para sentar e descansar durante o passeio. Avisar a mamãe, dar um beijo, os irmãos mais novos querendo ir…

- Mais mãe eles são muito pequenos, eu e a Cris vamos fazer uma aventura, não tem bicicleta suficiente para ir todos… além de que não é nada fácil pedalar com alguém na garupa. Vamos ter que pedalar no areião. E você sabe, quando a areia está muito fofa, uau… oss pneus afundam e… só de pensar, posso até sentir minhas pernas ficando doloridas.

- Está bem, Sarah, mas volte logo. E na próxima vez programe uma aventura que todos possam participar.

- Obrigada mãe, voltaremos logo… É apenas uma expedição secreta!

…Uma expedição secreta! Olha lá, se fosse tão secreta… As crianças criam cada coisa! Mas será que é tudo imaginação ou as coisas realmente acontecem somente pelo fato de você acreditar que existem?

Acreditar em algo e transformar esse  algo em realidade é uma questão de fé. E quanto mais você acredita, mais provável de se realizar será.

- Este caminho está muito difícil, vamos ter que sair da “bici” para poder empurrá-la, está afundando muito e eu não agüento!

- Tudo bem, vamos sair, afinal já chegamos onde queríamos, veja o mar como está bonito!

A praia se apresentava aos olhos delas bem a frente. Uma praia bem ampla, o mar estava tranqüilo, ondas brancas em contrate com o verde. Muitas vezes elas se questionavam, porque aqui em cima a areia é branca e na praia a areia é mais escura?

A casa estava abandonada, o portão estava quebrando e no final do corredor que dava para os fundos da casa estava sujo. Havia uma pequena construção, pastilhas para revestimento se espalhavam mostrando o abandono ou a intenção de reformar ou construir um tanque ou piscina.

Elas resolveram recolher aquelas pastilhas pois afinal de contas a casa  agora era delas, não tinha ninguém para contestar isso. As impressões foram mudando a medida em que Sarah se aproximava mais das janelas, … impressões? Lembranças? …. Ela não saberia ao certo.

Ao se aproximar da janela principal, pode notar que dentro da casa havia um piano, uma rosa vermelha em um pqueno vaso. Provavelmente de plástico, ela pensou, afinal de contas a casa se mostrava inabitada, ninguém aparecia lá desde as últimas duas férias, mais de 2 ou 3 anos.

Seus pensamentos começaram a devanear e Sarah começou a ver imagens antigas, movimento de pessoas dentro da casa, risos, uma sentimento grande invadiu seu coração e a sensação de que ela tinha vivido naquele lugar há muito, muito tempo atrás.
Os olhos de sua mente visualizaram amor, alegria, separação e a figura de um homem entrando no mar, em um pequeno barco. A tristeza da separação crescia em seu coração e os olhos começaram a se encher de lágrimas pela visão.

Palavras vieram a seus ouvidos como se elas estivem sido pronunciadas naquele momento em algum lugar não definido pelo tempo.
- Por favor, não vá! Eu não suportarei sua ausência…
- Não se preocupe, voltarei em breve, o mar está calmo, preciso ir. Você sabe do compromisso que assumi e estar de volta o quanto antes é tão importante quanto pra você. É difícil ficar longe dos seus olhos.
A cena de despedida era forte demais, o sentimento do momento enchia o seu coração de profunda tristeza. O mau pressentimento que cobria os seus olhos dizia que ele não iria voltar, algo estava para acontecer e era inevitável.
E realmente ele não voltou, a tempestade surgiu no mar como algo escondido, inesperado, sua intuição estava certa.
Os dias se passaram, o olhar perdido no mar. A tristeza e o sentimento de perda cresciam e algo não controlado, eminente e sombrio ocupou os olhos naquele momento. Uma prece:
- Se ele partiu, eu também devo partir não é possível suportar mais está distância. Que Deus me leve, tenho certeza que o amor que nos une é tão forte que fará com que nos reencontremos,  o tempo e o espaço não existem quando existe um sentimento tão profundo.
- Sarah, Sarah! Dá dormindo acordada. Seus olhos estão tão estranhos… O que houve?

Cris insistia nas palavras e a sacudia de um lado para outro, para que acordasse daquele estado de transe.
- O que foi? Parece que viu um fantasma?

- O que? Você viu um fantasma?
- Não, não vi nenhum fantasma. Você está tão estranha olhando fixamente para dentro da casa, que me assustei. Estava aqui gritando com você e você não respondia. Estava me deixando assustada!

- Ah! Desculpe-me. Me perdi olhando pela janela, me deu a sensação de já ter vivido dentro desta casa. Sei lá!

- Vamos voltar Marcelo já veio nos chamar. A mamãe está preocupada. Já devíamos ter voltado, é tarde…
- Tudo bem, me deixa pegar as coisas….
Voltaram para a casa e encontraram a mãe e os demais irmãos ansiosos. Levar uma bronca era a coisa mais provavel e fazia parte de qualquer travessura que fizeram. Então era só pedir desculpas e logo depois tudo estaria bem.
A noite veio logo, e o silêncio reinou. Só se ouvia os barulhinhos das cigarras, uma coruja e o mar. Este cenário fazia parte das férias. A família de Sarah costumava passar as férias na praia já que era o lugar favorito de todos. Seu pai vinha nos finais de semana para vê-los e durante a semana voltava para a capital onde residiam, para trabalhar.
Nesta época mulheres como a mãe de Sarah eram responsáveis pela casa como um todo. Além dos afazeres domésticos, cuidavam das crianças em todos os aspectos e o lado profissional na maioria dos casos não existia.
Cecília era uma mãe prestimosa e caprichosa em tudo. Atenta a todos os detalhes da casa e no cuidado com as crianças. Responsável, trazendo tudo a rédeas curtas, certa de seu papel e compromisso assumido.
Se preocupava com sua alimentação, levava as crianças ao médico periodicamente para prevenir qualquer aborrecimento: vacinação, resfriados. Para não falar na dos estudos, tão impoertante para o futuro dos filhos.
O respeito familiar era grande e os pais de Sarah eram um exemplo de cumplicidade e afeto e isto era visto por todos. Sempre unidos na divisão dos afazeres, amigos inseparáveis. Apesar de que neste quesito o pai de Sarah, Felipe, costumava deixar a maior parte para Cecília que chegava a reclamar de tantas providências. Mas sempre havia o tempo certo, o momento das historias, a visita dos avos e tios e o calor familiar que era grande.

Sarah era a filha mais velha. Possuía um magnetismo especial, atraindo todos para ela. Gostava de ser a líder, direcionando as brincadeiras e organizando os irmãos. Mas nestas férias algo aconteceu para que seu comportamento se tornasse mais introspectivo. Aquela casa, as sensações e visões ou lembranças que havia tido mudaria o seu jeito de ser para sempre. Não que isso tenho trazido amargura, mas sim questionamentos. Eram suas aquelas lembranças ou ela teria captado aquilo, ou simplesmente uma fantasia, mistura de muitas historias que havia lido ou escutado.

Estes pensamentos eram constantes já que ela sentia-se um pouco distante de seus irmãos. Alguma coisa no seu corpo mudará e trazia para elas coisas ainda não experimentadas nem sentidas antes.

- Papai, você acha que Deus escuta mesmo a prece das pessoas?

- Sim, você pode ter certeza que sim. Você já é um prova disto, sua mãe e eu a queremos muito e  Deus escutou isso e nos trouxe você e seus irmãos.
- Acredito papai, mas será que ele ouviria uma coisa mais forte como… Sei lá… Uma pessoa pedindo para morrer, pois não agüentaria ficar longe uma da outra?

- Que idéia! Você me faz cada pergunta… Você sonha demais Sarah. A realidade é melhor, sonhar é bom, mas não é real!
Estas palavras provocaram um choque. Como seu pai poderia estar dizendo aquilo. Que sonhar era ruim. Que ficar sonhando não era adequado? Mas era tão bom devanear em pensamentos imaginar situações. E com isso o pensamento voltou para a casa, era só um sonho teria imaginado tudo aquilo?

Um sentimento de raiva aflourou e ela deixou seu pai falando sozinho e foi para junto de seus irmãos se distrair um pouco, não conseguia digerir aquela conversa direito. Outra oportunidade apareceu e logo ela estava lá, novamente olhando pela janela da casa.

“Como que alguém deixaria aquela casa abandonada com um piano lá dentro?”

Ainda possuía um coração de criança e com este coração os olhos se voltam para outros assuntos, retorno para a escola, lições, aula de ballet, aula de violão, inglês e música, música, algo maravilhoso e transcendente …….
II – Questionamento

E o tempo passa, o tempo passa demais rápido, roubando de nós muitas coisas: lembranças, sentimento, raiva, ódio, amor, amizade….
O tempo cura, mas também leva…. E leva tempo para que você retome coisas não resolvidas.
Ao olhar aquela chuva pesada que caia, um flashback de sua vida Sarah viu passar. Tantos sonhos vieram e tantos outros partiram.
O seu coração de criança já se transformara em adulto e muita coisa tinha mudado, amadurecido. Soltar a imaginação muitas vezes causava certo desconforto como um misto de vontade de seguir em frente e reprimir algo sentido. Como resolver aquela sensação vivida naquela casa há tanto tempo atrás? Por que aquela visão ou imaginação vinha sempre em seu pensamento?

Seria ridículo? Ou ridículo seria ficar esperando mais tempo, e esse tempo corroer seu coração e tal forma que matasse de vez qualquer vontade de descobrir?
Esse sentimento chega a ser pesado e enfadonho por isso tratou de tirar da cabeça e seguir em frente algum sinal chegaria até ela, afinal de contas ela agora tinha tempo para isso…
Passava das três horas quando ela chegou à praia, era um dia claro de outono, e os dias do mês de junho eram os seus favoritos.
O céu se apresentava com uma cor azul maravilhosa, não havia sequer uma nuvem, a temperatura era extremamente agradável e respirar o ar marítimo tão próximo lhe fez ganhar forças para seu novo projeto.
Se instalou em um pequeno Apart Hotel que ficava bem próximo a praia; queria ter a oportunidade de escutar o barulho do mar em todos os momentos de seu dia. E a euforia tomou conta de si.

Deixou a bagagem no quarto, tomou algo para recobrar fôlego e se dirigiu para a praia. Ao chegar os seus olhos se depararam com a paisagem que há tanto tempo não via.
- Minha nossa! Ainda está aqui!
Colocou sua mão no peito e inspirou profundamente, aquela sensação de êxtase ao ver e sentir o mar, a praia em toda a sua extensão, o lugar que viu ela crescer… e apesar do tempo ter passado, não tinham roubado daquele lugar toda a beleza.
Deu um logo passeio na beira da água e depois sentou um pouco para apreciar a paisagem. Realmente nada havia mudado. Talvez mais casas, algumas barracas de praia, mas nada que prejudicasse o local.
Envolta em seus pensamentos, viu um barco se aproximando, pescadores… Resolver ir até o porto para comprar algo para o jantar. E talvez questionar sobre sei lá o que…
Não viu nada demais em tudo aquilo e retornou ao Apart Hotel. Quando ela estava se arrumando depois de tomar seu banho, olhando para o espelho, pensou em tocá-lo e algo inesperado aconteceu…
O espelho parecia líquido, derretido? É mágico? Ficou olhando para todos os lados para ver se estava sendo observada, talvez alguém queria pregar uma peça!

Tocou o espelho e a sensação em suas mãos era estranha, um misto de umidade, cremosidade, gelatinoso.

Curiosidade mata!

Eis o pensamento que surgiu em sua mente… Resolveu colocar a mão toda, tudo bem…

Vamos colocar o braço, tudo bem…

Vamos colocar o rosto para ver o que tem do outro lado, e…. Sentiu algo puxando e definitivamente ela atravessará o espelho…. e estava do outro lado…

III – Onde eu fui parar?

Passado algum tempo, acordou e sentia-se um pouco atordoada, sentou-se e abriu os olhos, procurando algo… Uma dor de cabeça enorme era o que ela tinha. Quando conseguiu abrir os olhos…
- Onde é que eu estou?

- Que quarto é esse?

- É um sonho?
Levou um susto e num salto se colocou em pé. As cortinas do lugar estavam fechadas, eram pesadas com formato de figuras geométricas uma dentro das outras. Marrom, creme, laranja, a colcha da cama combinava com a cortina. Havia um aquecedor bastante potente que cobria boa parte do quarto perto da parede.

Um aquecedor? O que é isso? Eu estou na praia, e aparente quartos de hotel em praias não usam aquecedores. O coração dela tremeu em seu peito, tamanho era o medo que se apoderou sobre ela. Ouviu um barulho parecendo a porta se abrindo. Tratou de se esconder debaixo da cama.
Do lugar onde ela estava podia ver as pernas da pessoa que entrou. Não parecia nenhum mostro ou outra tipo de forma desconhecida. Parecia normal, percebeu somente que se tratava de um homem. Ele andava no quarto de um lado para outro, parecendo aflito ou preocupado com algo. Por fim ele abriu a porta e saiu do quarto.
Uffa! Ela disse, posso sair debaixo daqui. Está quente demais. O que ela iria fazer agora? Como ela iria sair daquele lugar? O jeito era em primeiro lugar sair do quarto e depois talvez da casa que ela estivesse.
Abriu a cortina de leve para ver o que estava acontecendo e quase teve um colapso cardíaco, estava nevando. Sua expressão era de total espanto, ficou pasma! Sua respiração ficou ofegante, suas mãos suavam e onde diabos ela estaria, onde estava, e onde estava o dia de sol, a praia?

Tentou ficar novamente em frente ao espelho, tocá-lo novamente para tentar voltar de onde viera, mas nada acontecia, parecia um espelho normal. Ela dizia a si mesma, estou ferrada, agora estou na roça, onde diabos eu estou.

Colocou a mão no bolso e deu um suspiro de alívio, como tinha ido até o porto mantinha consigo coisas importantes, um celular, um pouco de dinheiro, seu cartão de crédito e sua carteira de identidade.
Abriu a janela para sentir o tamanho do frio que estava lá fora e fechou novamente. Deu para ver que era uma casa terrena, não era uma construção antiga, havia um quintal razoavelmente amplo. O jeito é “pegar emprestado” um casaco, e isso era o que não faltava. Parecia haver vários  sob o aquecedor, secando provavelmente.

Experimentou alguns e acho o que servia melhor e era quente para seu corpo que vinha de um lugar que a neve não existia. Abriu a janela e consegui pular, pois a altura era pequena.
Ficou com o corpo agachado, para poder se esconder com mais facilidade e foi se esgueirando pela parede da casa e entrou um tipo de uma garagem. Mas não foi uma boa escolha…
Uma cobra enorme estava enrolada na sua frente… Ela já havia visto algumas cobras, mas ela não tinha a menor idéia, não possuía qualquer informação precisa a respeito, e sua mente e o medo da visão daquele animal simplesmente a fez perder todo o controle da situação. Ela simplesmente começou a andar bem devagar para trás, pé ante pé. Seu coração provavelmente iria saltar pela boca, tamanho era o medo.

Conforme ia voltando deparou com alguma coisa nas suas costas. Agora sim ela teria um ataque cardíaco e tudo estaria perdido, não conseguiria mais voltar e ela morreria ela, num lugar totalmente estranho, sozinha.
Ela tocou para sentir apenas que era uma pessoa. Não viu mais nada, simplesmente desmaiou. Ela não teve idéia do tempo que passou…

Quando acordou estava deitada num sofá, a sua visão estava turva e sua cabeça latejava de dor. Colocou as mãos na cabeça e parecia que tudo ia explodir. Olhou a sua volta e em primeiro momento parecia estar sozinha, mas logo percebeu que não estava.

Havia uma menina perto dela, assistindo TV, sem se preocupar muito com sua presença, provavelmente pelo fato do seu estado ser tão terrível. Conseguiu olhar no relógio, eram já 8h da noite. Aos poucos foi se apoiando, tentando se sentar no sofá. Mas sua cabeça doía tanto e uma sensação de desmaio se apoderou novamente dela.

Tentou chamar a menina. Quando fez isso, conseguiu ver que um homem se aproximou dela e delicadamente a ajudou a se sentar e ofereceu a ela uma xícara de chá. Ela balbuciou alguma coisa como “obrigada”, mas suas mãos não conseguiam segurar a xícara. Ele percebeu e retirou da suas mãos. E ela novamente se deitou e dormiu.

Quando recobrou novamente os sentidos, olhou o relógio, 6 horas, ela continuava no sofá, mas estavam sem sapatos e um macio cobertor sobre ela. O que ela mais queria na vida neste momento era ir ao banheiro. Era uma coisa urgente, não tinha como.

Reuniu todas as suas forças e conseguiu se sentar no sofá, as cobertas eram pesadas e ela as jogou para o lado para facilitar sua saída.

E agora? Onde é que está o banheiro? Não foi difícil de encontrar. Uffa!!

Quando saiu do banheiro, o inevitável aconteceu, deu de cara com o cara. Para sua surpresa, ele não tinha um rosto horrível, nem era deformado, ou coisa parecida. Depois de tudo que ela passou, ela havia imaginado ter atravessado para um mundo irreal, cheio de magia e monstros terríveis.

Pelo contrário, tudo parecia ser normal demais. Mas havia outro detalhe… No momento em que ele falou, percebeu a onde ela realmente estava.

-Are you well?

Ela não sabia se chorava, se ria, se falava, se corria, se gritava. Seu rosto ficou pálido. O que é isso?

Sua mente começou a trabalhar e tudo ficou claro: frio, sistema de calefação. Ela realmente não estava no Brasil. Ela respondeu

-I’m very confussion. Sorry, I don’t know how I’m in here!

Ele pediu para que ela sentasse e explicasse o que havia acontecido. Ele teve bastante paciência para escutar todos os detalhes. E em diversos momentos seu rosto era de total espanto. Por fim, ela deu um longo suspiro e desfechou o relato.

Ele achou melhor levá-la até o quarto em questão para verificar a coisa do espelho. Chegaram lá e nada, o espelho estava sólido e mostrava nenhum indicio de se modificar. Tudo parecia ser uma história absurda e irreal. Sua cabeça girava, deixando-a aturdida, desconfiada e em pânico.
Percebeu que ele duvidava muito daquilo que falava. A pressão era muito grande, e não suportou, começou a chorar, não conseguia raciocinar direito. Num País estranho, sem passaporte, como ela que ela ia explicar sua chegada até lá.
O homem percebeu sua dificuldade e desespero e tentou acalmá-la. Dizendo que tudo bem, ela não precisa ficar daquele jeito. Ele não iria fazer nada, porque ele também não estava entendendo o que estava acontecendo também.
A razão e o bom senso foi retomando aos poucos e Sara foi respirando fundo e voltando ao seu estado normal. Por fim ele a chamou para ir até a cozinha, assim ela poderia beber ou comer alguma coisa. E essa idéia foi ótima, pois seu estomago já dava indícios. Afinal já havia se passado muito tempo desde a última refeição.

Sentada na cozinha pode observar mais o lugar, e se sentindo um pouco a mais vontade, resolveu fazer algumas perguntas.

- Onde eu estou?
- Está é minha casa, ele disse.
- Certo, mas onde é? Estados Unidos, Austrália?
- Não, não, você está no Reino Unido
- Reino Unido, mas Reino Unido tem vários países, em qual deles?

- Galês, País de Galês…. brincadeira… Inglaterra, você está na Inglaterra.
- Ah! Oh! ^^, Não entendo como eu vim parar aqui. Juro!  Eu venho do outro lado do hemisfério, sou Brasileira. Como vou voltar? Eu não tenho passaporte, somente documentos brasileiros e ninguém, ninguém mesmo vai acreditar nesta historia absurda que eu contei. E porque é que você mantém uma cobra em casa?

-Eu gosto de repteis eles são bons para pegar roedores.
-E a menina? É sua filha? Estou na sua casa e fico fazendo tanta perguntas. Me desculpe!
- Sim. O nome dela é Violet e o meu é Thomas. E o seu?
- Sara. E muito obrigada pela sua hospitalidade, apesar da minha historia ser totalmente louca e insana. Eu não sou louca. Estou perdida, isso é a verdade. Mas, gostaria novamente de agradecer por tudo e por você não chamar a policia e nem me colocar para fora de sua casa, você é muito gentil.
- Também, depois de tudo isso! O que eu poderia fazer? Apenas usar de bom senso. Porque não há sentido nenhum você estar aqui, aparecer de repente dentro da minha casa… E aqui nós somos conhecidos pela hospitalidade.

Realmente essa história é por demais absurda, como isso pode acontecer, está parecendo Nárnia, mas Thomas não é o fauno, e ela não era nenhuma criança, como Lúcia…

Capitulo IV – Tomando consciência da situação

E Sara pode ver agora, passado o susto que Thomas não era realmente nenhum maluco ou um duende verde, pelo contrário, ele é bastante atraente, uau, ele não é de se jogar fora *.*. Ficou enrubrescida neste momento, por ter tido esse pensamento, disfarçou e aceitou o lanche oferecido por ele.
Violet se aproximou e ficou olhando curiosa para Sara, afinal de contas que era ela? Violet era uma menina de 5 anos de idade, tinha um sorriso lindo, cabelos castanhos lisos e nas pontas cacheado. Com o rosto rosado e aquele olhar encantador de uma menina que se mostra curiosa sobre o que está acontecendo. E em troca Sara lhe retibuiu o carinho com um sorriso.
A menina se aproximou mais, procurou espaço, e se sentou bem perto dela, examinando Sara detalhadamente. E logo as perguntas começaram:

- O que você veio fazer na minha casa, você é a nova professora? Ou você veio brincar comigo?
Isso realmente ela não poderia explicar, mas seu pai saiu com uma resposta rápida para poder resolver este impasse.
- Violet, ela é uma amiga do papai. Veio fazer uma visita, mas se assustou com Naja (a cobra), foi por isso que ela ficou deitada no sofá. Depois, ela irá brincar com você. Sara precisa comer alguma coisa agora. Você não acha que ela precisa?
- Sim, ela está com uma cara muito assustada…. acho que é fome (risos)
A resposta satisfez Violet que saiu saltitando e desapareceu dentro da casa…. opa, ela não desapareceu no espelho não, okay, ela foi brincar….
Um olhar de agradecimento surgiu no rosto de Sara e Thomas retribuiu. Afinal as coisas não pareciam tão terríveis assim. Por algum motivo isso estava acontecendo. E já que ela não tinha como voltar, pelo menos por enquanto, e ela precisava pensar ou fazer alguma coisa, alguma idéia?
Ela precisava tomar algumas providências, como arrumar roupas, ligar para a família, etc.

- Preciso de algo mais adequado para vestir. E, me desculpe por tudo, essa confusão na sua casa, essa história maluca.
- Roupas adequadas, eu não tenho roupas femininas comigo, alias, somente as de Violet. O jeito é sair para comprar alguma coisa…

- Espero que eu não chame a atenção.

- A melhor maneira de não chamar a atenção é agir naturalmente. Evite falar, você não tem sotaque britânico, então é melhor não chamar a atenção sobre isso, ok?

- Realmente. Mas se você me permitir, gostaria de ir novamente ao quarto, preciso ver aquele espelho.

Sara tinha aquela sensação, o sentimento de insegurança é tão difícil de lidar. E tocou novamente o espelho, talvez fosse a chave para retornar ao seu País. E seu pensamento foi invadido pelo motivo dela ter ido passar uns dias naquele lugar. A sensação de busca sempre esteve em sua mente, em seu coração. E em vez de achar algo, a situação piorou ainda mais, levando a uma situação onde a solução era uma coisa delicada demais. Num país estranho, com pessoas que se mostravam amigas, mas até que ponto? Até o ponto disso não afetar a vida delas?

A confiança é algo que se conquista com o tempo. E entrou no quarto. Fechou a porta, mas viu que Thomas permanecia próximo, sentiu sua presença. E porque eu vim parar justamente na casa dele?

Ficou na frente do espelho, procurou se acalmar, ela tinha dito a ele, que ela precisava de um tempo, somente um pouco de tempo, e talvez, ela voltasse de onde veio, e não importunasse mais ele com sua presença.

Importunar, essa era a sensação que ela sentiu quando estava perto dele? Não, não foi essa a sensação. Ele era tudo de bom, como se diz, um homem bastante atraente. Não, não queria pensar nisso agora. Não queria pensar nos detalhes do seu rosto, nem mesmo lembrar seu sorriso. Ela precisava se concentrar novamente e tentar voltar….

Respirou fundo, foi relaxando e sentiu uma brisa, um cheiro de mar. Ela foi se acalmando, e estas sensações foram se intensificando. O barulho do mar surgiu em seus ouvidos, e a lembrança da casa, da tempestade se intensificou. Houve um momento em que ela pode prever, ela pode tocar, mas tudo era tão distante. A força, a força, e…
Quebrou-se.. Ela apenas ouviu o barulho, a porta se abriu, viu o vulto de Thomas perto dela e Sara mais uma vez desmaiou.

Aquela experiência tão tinha sido uma idéia boa naquele momento. O fato de ter atravessado o espelho mexeu com ela e muito. Tinha lhe causado dores pelo corpo e uma dor de cabeça insuportável. E desta vez a coisa foi pior porque a única saída para voltar de onde ela tinha vindo se espatifou em mil pedaços, e o perigo de ter se machucado também.

Logo que voltou a si, estava sendo carregada por Thomas até a cama que tinha no quarto do espelho. Ele dizia para ela ficar quieta, pois teria que verificar se havia se machucado. Ela se sentia sem forças, dolorida e totalmente aturdida. Ele arrumou um travesseiro para ela, chamou Violet e pediu para que trouxesse um pouco de água com açúcar.

Ao ouvir isso, lembrou da sua infância, a mãe de Sara costumava lhe dar água com açúcar quando se machucava. Ela dizia que isso acalmava e lhe fazia bem. A preocupação de Thomas era evidente, ele também não se encontrava numa situação muito agradável também, com uma estranha dentro de casa, sem documentos e contando uma historia totalmente absurda.

Mas depois do que ele presenciou, viu que essa história não era tão absurda assim. Ele ouvira o barulho do espelho se partindo e suas dúvidas sobre o relato de Sara começaram a dissipar.

Sara tinha um corte em uma das mãos, aquela que num gesto, de tocar o espelho para mais uma vez tentar voltar. Thomas já tinha visto o corte e já providenciou um curativo para mão de Sara.

Ele estava preocupado com Violet, ela era apenas uma criança e não havia presenciado um acidente assim. Pediu que Violet fosse buscar uma vassoura e ––uma pá, para que ele pudesse recolher os cacos do espelho que se esparramavam pelo chão e pediu cuidado ao andar, e que não tirasse os chinelos, ele não queria outra paciente. Chega!

Ela se sentia um pouco melhor e falou:

- Eu não fiz nada Thomas, me desculpe mais uma vez. Eu só toquei de leve no espelho, pois senti o cheiro do mar e a brisa, e assim eu poderia ir embora e deixar as coisas voltarem ao que eram.

- Eu ouvi o barulho que começou a fazer aqui dentro e abri a porta, talvez eu não devesse ter feito isso. O fato de eu ter aberto a porta deve ter interferido, mas eu não podia mais continuar a ouvir aquilo e não fazer nada. Você está bem?

- Um pouco dolorida, mas estou bem. Obrigada. O estranho é que …

- O que é estranho Sara?

- A lembrança que veio na minha mente.

- Do que você fala?

- Bom, já que não tem jeito mesmo. Eu preciso contar para você algumas coisas. Há algum tempo atrás. É hilário falar a algum tempo atrás. Pois é há muito tempo atrás, eu tive uma visão.

- Sim, e…

- Então, ao olhar uma casa na praia quando eu tinha entre 12 e 13 anos. Eu me vi morando naquela casa, conhecia tudo o que tinha dentro dela. Até a disposição dos utensílios domésticos. Mas eu vivia com alguém lá. E ele partiu para o mar, eu pedi a ele que não se fosse, mas o compromisso era muito importante. Eu não sei por que as pessoas têm tanta dificuldade de acreditar em sensações, ou pré-munições. Bom, ele acabou indo para o mar e eu sei na época, como senti agora, uma dor enorme, o desespero. Ele não voltou mais e na minha visão eu não sobrevivi.

- Wow, e o que tem a ver com sua travessia no “espelho”

- Eu voltei para o lugar onde tive a visão para tentar pesquisar sobre o que aconteceu. Recolher informações dos antigos proprietários da casa e outros fatos. Eu precisava saber o que tinha acontecido. Então quando cheguei  ao hotel depois de ter tomando um banho, me arrumando quando eu toquei no espelho… Você sabe o resto…

- Estamos perto do mar e bem próximos. Talvez haja alguma conexão entre os dois lugares. Mas será que existe mesmo isso? A fantasia invade nossa vida, a nossa mente e na maioria das vezes usamos de ceticismo para impedir que as coisas sigam o seu fluxo.

- É verdade. Buscamos uma explicação mundana e cotidiana para coisas que não tem explicação. Elas simplesmente existem independentemente de você acreditar ou não.

O olhar de Sara e Thomas ficaram perdidos naquele momento, pensamentos, idéias, possível, impossível. E o que era possível e o que não era? Nossa mente é capaz de pregar peças, mas também é imaginativa, criadora e transformadora, depende de você acreditar ou não.

O olhar perdido dos dois foi interrompido com a chegada de Violet com a vassoura e a pá. A confusão estava feita e o jeito era arrumá-la e encontrar uma saída. Mas não era fantasia o que eles estavam vivendo. De uma forma outra Sara estava lá , e isso era real. Perguntas podem ser feitas, o questionamento era inevitável, mas aquilo tudo estava acontecendo.

Capítulo V – Pedindo Favores

Que providencias Sara deveria tomar para resolver o problema que mais a afligia: o passaporte? Ela precisava entrar em contato com a família para que eles pudessem enviar o passaporte. Mas como explicar isso a eles? Simplesmente ligar e dizer:

- Oi, mãe, você poderia enviar meu passaporte que estava guardado na gaveta da minha escrivaninha para o endereço que vou passar, na Inglaterra?

A mãe dela iria estranhar o fato dela receber um pedido nada comum, vocês não acham? Como a coitada ia pedir para a mãe enviar o passaporte para a Inglaterra? E para que se ela estava no Brasil, passando férias em sua praia favorita “Arpoador”.

Deveria haver uma forma de não levantar suspeitas sobre este pedido?

Talvez fosse melhor pedir um favor a uma amiga, os amigos são para isso, não é mesmo? Eles são feitos de cumplicidade e esta cumplicidade faz com que o relacionamento entre duas pessoas seja feito de confidencias, segredos … eles aceitam mais nossas loucuras.

Esta idéia pareceu mais plausível. Assim era só pedir para Sophia, sua amiga confidente. Ela poderia ir até a casa de Sara com a desculpa de ter esquecido algo no quarto dela, e para não levantar suspeitas, Sara ligaria avisando que Sophia estaria indo para pegar emprestado algo e tudo se ajeitaria. Mas, com certeza, por mais cumplicidade que houvesse, Sophia ficaria muito assustada com o fato de Sara estar na Inglaterra, mas isso era outro problema afinal ela sabia sobre a visão, então para que se preocupar com isso, o melhor era ligar para ela.

Todos esses pensamentos estavam em sua mente, enquanto ajudava a arrumar o quarto depois do acidente com o espelho. Violet era uma graça, tudo para ela era festa, motivo para brincadeira e sorrisos.

Assim que deixaram o quarto novamente em ordem, ela pediu para usar o telefone, mas logo lembrou que tinha computador na casa de Thomas e era melhor utilizar sua conta no Skype para falar com Sophia.

Respirou fundo e chamou:

- Sophia, é Sara, você está bem?

- Sim, eu estou, e ai? Como vão as férias, se divertindo? E ai? Algum cara bonito?

- Ahahah, é né? Sabe o que é Sophia, eu não estou na praia, aliás, eu estou numa cidade litorânea, mas não exatamente em Arpoador.

- Como assim? Não exatamente? Você desistiu, e foi para outro lugar?

- Bem, não desisti, é que aconteceu algo meio estranho, e eu estou na Inglaterra?

- O que? Você surtou? O que? Inglaterra? Você pirou mesmo!!

- Não, bem talvez um pouco, maso…. Ah, como posso dizer, você sabe Inglaterra, Reino Unido, aquela ilha no emisfério norte, pertencente a Europa….

- O que? Você está tirando uma com a minha cara?! Sua doida, pára com essa brincadeira de mau gosto.

- Sophia, desculpe, não é brincadeira, eu nem sei como eu vim para aqui. Eu estava no quarto me trocando depois de tomar um banho, e toquei num espelho que tinha no armário do quarto e o ele fico gelatinoso, ai, sei lá, e eu vim para aqui, atravessei ele.

- Eu não acredito, é melhor você parar com isso, porque não vai dar certo esta conversa. Sou sua amiga há tanto tempo e você vem com esse papo para cima de mim?!

- Eu não estou brincando. Então vou provar pra você. Vou chamar o pessoal da casa onde eu estou.

Thomas e Violet aparecem na camera, comprimentam Sophia (em inglês é claro) e ela pode ver que realmente eram pessoas bem diferentes dos brasileiros, mas isso não significava nada, afinal de contas há muitos estrangeiros no Brasil. Isso pareceu não convencer a amiga.

- Tudo bem, vamos fazer diferente. Você me liga. Vou te passar o telefone daqui. Você vai ver. Depois a gente volta para o Skype que é de graça. Ok?

- Ok.

Muito bem, Sophia faz a ligação internacional  e se certifica que Sara não estava brincando… Realmente tudo aquilo era verdade, felizmente ou não. Desta forma Sara pede a amiga providenciar o envio do passaporte o mais rápido possível e rezar para que estivesse dentro da validade, visto de turista não era necessário, mas precisava constar um carimbo de entrada no Pais.

Depois disso, utilizando o mesmo esquema, ligou para a sua mãe para dar noticias e comentar da ida de Sophia. E que estava tudo bem, etc. Acreditou ter sido bem convincente.

Capítulo VI – Comprando algumas coisinhas

E agora, conviver com alguém que você nunca esteve, num País totalmente diferente do seu, realmente é uma situação bem difícil e constrangedora. Se ao menos ela estivesse com seu passaporte e com dinheiro, provavelmente ela se mudaria para um hotel já que estava de férias ou iria direto para o aeroporto e voltaria para o Brasil no primeiro vôo.

Ter que aprender a conviver com Thomas e Violent por algum tempo, tentar se agradável e ao mesmo tempo estar desconfiada de que eles contassem para alguém e desencadeasse algo desastroso para ela, santo Deus, ela nem queria pensar muito a respeito, como sua família reagiria se soubessem a real situação, e se ela, e se acontecesse, basta, chega destas suposições, é difícil demais estar aqui e lidar com tudo, arrumar mais algumas suposições iria fazer sua vida um inferno e iria pirar de vez.

Pensar demais, talvez esse seja o grande problema. Pensar demais, mas se ela não fizesse isso como achar uma solução, mas não aquietar seus pensamentos ocasionaria cansaço mental e com isso as soluções que talvez estivessem na sua frente não fossem vistas.

Thomas se aproximou dela, vendo seu estado de devaneio total, passou a mão na frente de seu rosto e parecia que Sara estava em transe, ela não piscou os olhos, não se mexeu, parecia uma estatua ou ela estaria congelada?

Ele a chamou algumas vezes e depois de algum tempo ela voltou a realidade e olhou de um lado para outro procurando Thomas, mas ele tinha ido na garagem pois desistiu de chama-la. Violet estava em seu quarto se preparando para sair, pois tinham combinado de comprar algumas roupas.

Ela vestiu um casaco e foi até a garagem, com um pouco de receio, Naja poderia estar passeando sossegada  e Sara não ficaria nada feliz em ver novamente sua nova amiguinha se rastejando pelo quintal.

Ela chamou Thomas e ele disse a ela que poderia entrar na garagem que Naja estava em seu cesto num outro lugar, vamos dizer, seguro para Sara.

- Chamei você diversas vezes, mas você estava com o pensamento tão distante que não quis insistir mais. Você está bem?

- Sim, estou bem, um pouco atordoada com tudo isso, e imagino que você também esteja, afinal uma estranha aparece, vinda do Brasil, através do “espelho” e o “espelho” está quebrando e você ter que aturar uma desconhecida na sua casa, te tirando a liberdade e trazendo possíveis encrencas caso alguém descubra que você tem  clandestina no País. Sem passaporte, sem nenhuma autorização e com uma história insana a contar. Prometo a você que assim que chegar o passaporte saio da sua casa o mais rápido possível, não quero te causar problemas.

- Terminou de falar?

- Sim, acho que sim. Santo Deus! Desculpe-me por tudo isso, eu realmente não quis…

Thomas interrompeu a fala de Sara.

- Sara, tudo bem, está tudo bem. Acredito que você não tenha feito isso de propósito. Aconteceu, fim. Agora precisamos sair para comprar algo para você, mas adequado. Então, siga o que te disse, não abre a boca, está bem? E outra coisa: você não está atrapalhando minha vida, estou de férias do trabalho, e está sendo bom receber visitas. Vamos fazer de conta de que nos conhecemos há muito tempo, e até parece mesmo que eu te conheço a muito tempo, bom, deixa para lá, vamos respirar fundo, não muito porque está muito frio aqui fora e seguir o que combinamos.

- Obrigada Thomas, não sei como agradecer…

- Sim, você tem como me agradecer.

- Como?

O rosto de Sara ficou rubro, seu pensamento voou demais alto….

- Preparando algo como um “Caipirinha”, é assim que se diz?

- Ahhhh! Isso e uma feijoada?

- O que é isso?

- Uma comida típica brasileira com feijões pretos e vários tipos de carne. Mmm

- Parece delicioso, passamos então no supermercado para comprar os ingredientes.Você me deixou curioso e com fome.

Isso fez com que Sara relaxasse um pouco, o fato de ter pensado algo, vamos dizer “a mais” com Thomas, a deixou ruborizada, sem graça, mas foi bom Thomas esfriar seus pensamentos, porque no momento esse tipo de coisa não era conveniente.

Conveniente, ser ou não. Muitas vezes nos sentimos como Sara, com pensamentos “inconvenientes”, bobagem, antes tudo fosse tão “inconveniente” assim…

Estando prontos para sair, Thomas achou melhor Sara ir com Violet no banco de trás, ela passaria despercebida, como se fosse uma acompanhante de Violet.

Bom, e ai, pessoal, todos devem estar se perguntando como é Sara, qual sua altura, seu peso, se é bonita ou não, como sou a observadora e conto esta historia para vocês, é minha obrigação lhes fornecer detalhes sobre ela.

Sara tem aproximadamente 1,70m de altura, peso 63kg, cabelos castanhos, olhos verde claros, pele branca. Os outros detalhes estarei descrevendo, assim poderão formar em suas mentes a figura de Sara.

Seu sorriso é especial e seus olhos falam por ela. Seria melhor em muitos casos se esconder atrás de um par de óculos escuro, pois é não é difícil ver o ela sente, seus olhos delatam sua raiva, seu contentamento e seus devaneios.

Capítulo VII – Voltando do Shopping

Tudo estava tranquilo no shopping, voltaram para casa e nada de especial ocorreu, somente o aperto no coração de Sara se intensificava e era dificil manejar isso.

Ela estava vivendo uma aventura, aventura que você somente vê em filmes, você realmente não acredita que isso possa estar acontecendo de verdade. Pode ter sido um milagre, ou algum lapso, ela realmente não tinha certeza de nada. Tinha lido algo sobre o Quatum, física quântica, e o mundo das possibilidades, isto é, existem várias possibilidades para uma mesma realidade. Realidade real, que às vezes parece virtual, e realidade virtual que provavelmente seja real.

Sei lá, talvez seja isso que ela esteja vivendo agora. Thomas foi muito gentil, ela fez as compras que ela precisava para poder sentir-se mais confortável. Agora era esperar pelo passaporte e pensar em algo que pudesse ser feito para justificar sua entrada no país sem o “carimbo” da imigração.

Thomas e Violet tinham uma consulta marcada e ela ficou sozinha e aproveitou para tentar achar alguma coisa, uma explicação sobre o que estava acontecendo, ligou o computador e começou a procurar, quem sabe….

“…O espaço e o tempo não são mais absolutos nem estão em dimensões separadas. Ambos estão íntima e inseparavelmente ligados e formam um continuum quadridimensional chamado espaço-tempo. As partículas subatômicas são interconexões em uma rede de acontecimentos, feixes de energia ou tipos de atividade. Quando as observamos, nunca vemos nenhuma substância material; aquilo que observamos são padrões dinâmicos continuamente se transformando um no outro – uma perpétua dança de energia.”

É, acho que estou experimentando exatamente isso…  Um barulho tirou da concentração em sua pesquisa na internet, eram Thomas e Violet retornando da consulta.

- Tudo bem? Deu tudo certo?

- Sim, tudo certo, era apenas uma consulta de rotina, nada demais. E você, como está? Está se sentindo melhor?

- Acho que sim, estou tentando achar alguma coisa na internet que me dê uma luz para tudo que está acontecendo. Você sabe, claro que sabe… Isso tudo realmente saiu fora do controle, estamos vivendo algo totalmente ilusório, na realidade, e a realidade? Será que ela está no ilusório?

- Ah?!! Que doidura é essa?

- Doidura? A gente está vivendo nessa doidura, então devemos trocar e voltar ao normal. Ou será apenas minha imaginação, um sonho maluco. Estamos sonhando Thomas?

- Acredito que não… Sonhos normalmente não tem tantos detalhes assim, você não acha?

- Bom, é verdade, é mais pesadelo… E preciso achar um meio de destrocar tudo isso.

- Concordo com você, mas como ainda não temos idéia de como fazer, que tal relaxar um pouco e aproveitar sua estadia aqui. Vamos preparar nosso jantar, vai ser divertido e Violet está com fome, afinal já são 6 horas da tarde.

- Você tem razão. Vamos lá…

Outro dia estava terminando e a idéia de aproveitar o tempo para conhecer melhor o lugar e por que não conhecer melhor Thomas e Violet?

Lá fora estava frio, mas a neve tinha cessado, ficando mais seguro para dirigir, pois com ela os pneus derrapam e tudo pode acontecer.

Thomas e Violet eram bem divertidos. Violet gostava de mostrar suas habilidades ou os seus jogos (cartas coloridas para formar pares ou mesmo quebra-cabeças) além é claro da sua boneca preferida. E ter uma mulher em casa estava sendo ótimo para ela.

Mas tarde, quando Violet estava dormindo, Sara pode conversar sobre ela com Thomas.

- Se não for muita xeretisse, mas, Violet, como ela aconteceu na sua vida?

- Bom, você sabe, estava apaixonado, comecei a viver com a mãe de Violet, ela ficou grávida, e depois quando Violet tinha 2 anos, ela disse que não era isso que queria para a vida dela, queria experimentar outras coisas e oportunidades de trabalho fora do país e ela se foi. Não temos noticias dela tem uns seis meses. Ela costumava visitar Violet cada dois meses, falava pelo telefone, mas da ultima vez disse que agora devido a um compromisso assumido, se ausentaria por mais tempo, e para não nos preocuparmos… Nos preocuparmos…, ela realmente não se preocupa com os sentimentos da filha, simplesmente isso.

- Onde ela trabalha?

- Numa companhia chinesa. Provavelmente está viajando pelo mundo, seu cargo é top, é viciada em trabalho.  Tem gente viciada em álcool, em drogas, ela é viciada em trabalho.

- Bom, pelo mesmo ela te ajuda a manter Violet?

- Ah sim, ela paga por tudo que Violet precisa, mas você sabe, carinho, presença e atenção, dinheiro nenhum paga.

- É verdade, mas tenho certeza que você é um bom pai/mãe para ela e isso a gente pode notar. Deve ser dificil…

- Um pouco, mas já nos acostumamos, temos nossas rotinas e nos damos muito bem. Ela é uma filha incrível.

- Sim, ela é uma doçura, reflete a vida que ela tem com você. Ah, bom…, a conversa está boa, mas gostaria de descansar um pouco.

- Oh, claro… amanhã vamos passear. Violet quer te mostrar umas estufas enormes no jardim botânico da Universidade.

- Uau, adoraria…. Obrigada mais uma vez por tudo e me desculpe o inconveniente.

­- Não se preocupe, você está segura aqui, apesar dos bichos estranhos que você vê, somos gente boa, okay?

Risos….

- Ok. Boa noite Thomas

- Boa noite Sara.

Capítulo VIII – E os dias foram se passando

Os dias foram se passando e a amizade entre eles foi crescendo, Violet se sentia muito bem com a presença de Sarah em sua casa e o sentimento entre elas cada vez mais forte e isso foi deixando Sarah um pouco preocupada e confusa ao mesmo tempo.

… logo, logo terei meus documentos e poderei voltar para casa. Essa minha permanência aqui não sei até que ponto é válida ou não. Não tive intenção e em meu coração nada está resolvido. Se estou aqui é por algum motivo, caso contrário eu não teria atravessado o espelho, esta situação quer me mostrar alguma coisa, ela pensava consigo mesma…

Bem, o fato de estar num lugar tão oposto, antes calor, agora frio, antes sul, agora norte, talvez queira mostrar a teoria dos opostos. E sua expectativa, a ansiedade de encontrar respostas e ter o oposto e isso estaria frustrando aquilo antes imaginado.

Se ela quisesse encontrar a tal pessoa da visão, seria lembrada? E o que faria ela pensar: sou eu a mulher da sua visão? Ou talvez tivesse captado algo, alguma lembrança deixada por alguém naquela casa. Mas, o fato estava realmente fazendo sua mente pirar.

Sentanda escutando uma música suave, poderia recobrar a concentração e tirar os barrulhos externos. Sons inadequados foram sumindo as poucos e seus ouvidos eram agora somente para a música.

Ouviu o som do trem se aproximando da estação, os passarinhos cantando e tudo se transformou novamente, fechou os olhos e pode sentir a brisa do mar, a brisa nos seus cabelos e sol aquecendo sua pele. Um lindo dia de sol na praia do Arpoador…. o cheiro do mar vindo e indo, as ondas verdes…

O que é mais importante agora? Sentir e aproveitar os momentos vivenciados a cada dia ou voltar? O que é mais importante? Viver e sentir as coisas do presente e aceitar o presente que a vida estava oferecendo agora.

Ouvindo o barrulho do trem partindo, ela foi retomando a consciência da onde estava e percebeu a maravilhosa oportunidade e aceitou com amor.

Violet estava no colo de Thomas, assistindo TV, quando ela voltou do quarto, eles se olharam e uma profunda paz, serenidade e porque não uma certeza de tudo, nada acontece por acaso, por menor que seja. Presa num país, sem condições de voltar para o Brasil, sem documentos, sem coisas materiais que lhe davam segurança, sorriu e eles se abraçaram como se esses últimos 10 dias fossem 10 anos.

Se Thomas e Violet eram as pessoas certas para ela, pessoas que acalmariam seu coração, a procura estaria por fim finalizada, o coração aquecido e a vida estaria mostrando como as águas do mar, o seu vai e vem; esse vai e vem traz novas coisas, navios chegando, barcos partindo, aquilo que vai nem sempre volta da mesma forma. A transformação é inerente, ela precisa acontecer para que tudo se renove, se ela era aquela mulher da visão, ela não tinha mais certeza, pois uma nova chance de felicidade estava na sua frente e desta vez ela não deixaria escapar, desta vez ela tinha ido ao seu encontro.

No dia seguinte, a correspondência chegou e com ela o envelope de Sophia, com seu passaporte e os demais documentos. Um bilhete da amiga dizia: “Boa sorte, estou com você, Beijos e beijos”

Thomas tinha tido uma idéia de ir com ela para a França de carro, eles atravessaria o Canal da Mancha, estaria escondida dentro do carro, receberia o visto de entrada no país e permaneceriam lá por um final de semana. Retornando para a Inglaterra, teria o carimbo e para facilitar a entrada mostraria sua passagem de volta ao Brasil, passagem esta, comprada pela internet e tudo estaria “legalmente” feito.

A idéia foi posta em ação e seus detalhes planejados e seria executada no próximo final de semana. Não tinha erro!

- Vamos fazer um passeio à Calis, Violet, passaremos o final de semana nos divertindo  na França, você se lembra da última vez, aquele parque?

- Lembro sim… quando vamos?

- No próximo final de semana.

Capítulo IX – Chegando no Canal

Tudo parecia correr como foi planejado, nada poderia dar errado. Violet iria no banco de trás e Sarah estaria no porta malas escondida.

A fila se extendia por mais de 2 km e o final de semana prometia, apesar do frio lá fora o dia estava lindo, céu azul, sem nenhuma nuvem, com o final do ano chegando, muita gente aproveitava a oportunidade para fazer compras na França, onde o preço e a variedade de frutas, vinho e guloseimas era grande.

- Fique tranquila Violet, tudo vai dar certo, é só deixar as coisas fluirem naturalmente, a Sarah estará bem e logo logo resolveremos isso.

- Ela não vai ficar sufocada, papai?

- Não se preocupe Violet, estou bem, e está frio, vai estar bem gostoso aqui em baixo.

- Então está bem.

A vez deles estava chegando e o stress e o fato de estarem fazendo algo totalmente ilegal deixou os dois, Thomas e Sarah realmente apreensivos. Ambos não eram pessoas com hábito de transgredir regras, a sensação de estar cometendo uma e uma bem grande, realmente não era nada confortável, mas nas circustâncias atuais, não havia outra saída.

A vez deles embarcarem chegou, Thomas apresentou o seu passaport e da Violet e entraram na embarcação. Os documentos de Sarah estavam com ela. Estacionaram o carro, sairam e Sarah continuava escondida e ficaria por mais ou menos duas horas e meia.

- Gente do céu, parece um sonho ou um pesadelo, ainda não consigo definir. O sonho é ter encontrado Thomas, tem sido tão maravilhoso desfrutar de sua companhia, e apesar de não dar muitos detalhes de tudo, o nosso dia a dia, com certeza, tem valido a pena. Pensava Sarah… O carinho, a alegria de Violet brincando e sorrindo para ela, isso não tinha preço. A importância daquela visão, já dissipara, e ela aprendeu a viver a intensidade dos momentos com eles e esse presente é tudo para ela…

O tempo foi passando e o lugar onde estava era bem aconchegante mas pequeno. A tensão, o stress do momento deixaram o corpo de Sarah em cacos. Tudo doia, os poucos movimentos que podia fazer não amenizavam. Mas teria que ter paciência, mais uma hora e metade do plano estaria completo. O carro de Thomas apasar de pequeno, não chamava a atenção.

Sarah se rendeu ao cansaço e acabou adormecendo…

Acordou num salto quando se viu no chão do quarto do flat em Arpoador, seu rosto transfigurado e vermelho, totalmente molhada de suor, seus cabelos despenteados. Seu coração batia tão forte em seu peito, a sensação de sufocamento era tamanha, que seus sentidos desapareceram e tudo ficou escuro, seu pensamento foi… Não pode ser, não pode ser…

As cortinhas da janela do flat estavam abertas e a brisa do mar sobrava deliciosamente em seu rosto, o som de gaivotas  e o barrulho das ondas do mar foram trazendo Sarah à conciência. Sua respiração já era normal, o cheiro do mar foi sendo sentido com mais intensidade a medida que ela se movimentava, tentando se levantar.

Apoiou-se na cama e aos poucos conseguiu se colocar em pé, tudo parecia anestesiado, suas pernas não estavam tão firmes e procurou sentar-se. Sua cabeça doia tanto e tudo parecia chacoalhar, como uma caixa cheia de bugigangas. Colocou a mão no bolso do casaco e tudo estava lá, seu passaporte, cartão de crédito e demais documentos, mas nem tudo estava com ela … Onde está Thomas, Violet… minha vida dela com eles?

Tudo teria sido um sonho/pesadelo?

Meus dias com eles, nossa vida juntos? Ai meu Deus? O que está acontecendo? Ela pensavam, seu coração estava apertado e a desilusão tomou conta de si.

Capítulo X – Arpoador, eu aqui outra vez

O que ela poderia fazer agora? Em primeiro lugar tentar se acalmar,  ir até o banheiro lavar o rosto e resolver sua situação de estar no flat depois de ter desaparecido a quase um mês…

Que situação! Imagine só a cara da recepcionista. Minha nossa, essa mulher é doida, depois de tantas semanas ela aparece, bom pelo menos ela pagaria a conta, tinha esse lado positivo, Sarah pensava.

Suas roupas não estavam mais no armário, onde estariam? Depois de passados alguns minutos, foi até a recepção. Na recepção, identificou-se e logo o gerente foi chamado.

- Estamos bastante curiosos com o seu caso, a senhorita desapareceu e uma pessoa, chamada Sophia nos procurou e fez a gentileza de pagar sua conta e levar suas coisas. Gostariamos de saber porque a senhorita está aqui novamente? Por acaso está pensando em se hospedar?

Em primeiro lugar, gostaria de desculpar-me pelo acontecido, eu não desapareci, somente tive uma pequena mudança de planos e como não pude retornar para retirar minhas coisas e pagar a conta (Sophia, Sophia, você é um anjo, tinha esquecido do flat!), minha amiga fez a gentileza de fazê-lo. Agradeço a compreensão e os serviços, isso não irá acontecer mais.

- Vocês teriam um quarto somente por hoje? Não tenho bagagem, partirei amanhã no primeiro ônibus.

Sim, não há problema, aqui estão as chaves. O mais incrível foi encontrar o espelho do armário quebrado, como a senhorita conseguiu quebrar-lo daquele forma? Estava quebrando em pedaços redondos, chamamos o vidraceiro para repor o espelho e ele também ficou de boca aberta. Em anos de serviço ele nunca tinha visto algo assim.

Ela não respondeu, somente sorriu, pegou as chaves e foi para o quarto. Toalhas limpas sobre a cama, alguma coisa na geladeira… Tomou um banho e deitada na cama, procurou somente ouvir o barrulho das ondas do mar e o som das gaivotas ao longe. Fazer alguma coisa agora… pegou o telefone e ligou para Sophia.

- Sophia, amiga… estou aqui em Arpoardor, voltei… vou pegar o primeiro onibus amanhã, você poderia me pegar na rodoviária por favor?

- Sarah, você voltou? Estou sem palavras?

- Imagine eu, não sei nem por onde começar… Mas por favor, vamos deixar para amanhã, não estou me sentindo muito bem agora. Estou toda dolorida, meu corpo está em frangalhos. Me desculpe, amiga por tudo.

- Não tem problema, sei quando você não está bem. Vejo você amanhã na rodoviária.

- Obrigada, por favor ligue para os meus pais e diga… bom, você sabe o que dizer. Obrigada e até amanhã.

Tudo parecia chacoalhar em sua cabeça, ela parecia estar com aquela dor no corpo, aquela sensação horrosa de começo de gripe forte. Pediu algo para comer, ligou a Tv para se distrair um pouco… acabou pegando no sono… Acordou no meio da noite, desligou a TV, mas não conseguiu adormecer novamente.

Seus pensamentos rodavam e rodavam. Thomas e Violet onde estarão e que estarão pensando?  Ela desapareceu da mesma forma, do nada, do mundo das possibilidades… sei lá?!

O despertador do celular tocou, levantou-se e foi até o banheiro. Estando pronta ou não, ela teria de seguir em frente, enfrentar o caminho de volta. Suas férias estavam terminando, e a volta do trabalho seria na dois dias. Ainda bem, voltou a tempo, pelo menos tinha esse lado bom na história, pelo menos não precisaria inventem uma história para justificar. Chegou na rodoviária, dia cheio, muita gente chegando, muita gente partindo. Sábado o movimento era totalmente diferente.

Sophia, estava lá, com um sorriso e um abraço para recepcioná-la. Amigas são assim mesmo, nada como um abraço de uma para fazer as coisas de acalmarem. Amigas são jóias, presentes da vida. Muitas vezes estas jóias permanecem por muito tempo, outras te mostram coisas e desaparecem, pois compartilharam experiências e depois delas não somos mais o que eramos, algo foi acrescentado, mudando, transmutado.

Sophia era especial, tinha um trabalho bastante diferente do normal, gostava de números e os números gostavam dela. Tinha desenvolvido uma técnica dentro da Numerologia, onde podia traçar o perfil de canditados a empregos. As empresas utilizam esse estudo para recrutar o canditados, e ela estava se saindo muito bem, e ela adorava seu trabalho.

- Olá amiga! Provavelmente você não está bem, e fica meio estranho perguntar, mas… como você está se sentindo hoje?

- Estou melhor, a dor do corpo não está tão intensa, mas tive um pouco de febre durante a noite. Estou tentando colocar as idéias no lugar, mas está dificil. Estava na Inglaterra ontém e estou hoje no Brasil. Já foi dificil aceitar a situação no começo e agora está sendo dificil duplamente, pois deixei para trás pessoas maravilhosas e uma experiência pra lá de sulreal.

- Não se preocupe, tudo vai dar certo. Você agora precisa descansar e tenho certeza, o caminho de volta será mais tranquilo, pois você conseguiu experimentar algo, que acredito ser, a experiência mais incrivel, você pode até escrever um livro.

- Uhmm nem fale… Vamos para casa, por favor.

Capítulo XI – Voltando ou indo? Sei lá?!

Os dias foram se passando e ela estava hesitante, deveria ou não procurar Thomas e Violet? Ela estava temerosa, não sabia se encontraria eles ou tudo não passara de um sonho. Mas, cedo ou tarde, ela teria que resolver isso, não poderia deixar pra lá.

Depois de muito pensar, de andar de um lado para outro, resolveu ligar para eles. Seu coração estava acelerado, como eles iriam reagir? Ele pulsava forte, e muitos pensamentos iam e viam em sua mente: insegurança, felicidade, medo, amor …

Quando ouviu a voz de Violet:

- Hello!

- Hello Violet, It is me, Sarah!

- Sarah! Podia ouvir os gritinhos de felicidade da menina, logo ela ouviu a voz de Thomas

- Sarah?

Seu coração batia forte realmente, sua respiração estava a mil. Respirou fundo e começou a contar o que tinha acontecido e como ela estava se sentindo. Pediu desculpas por ter demorado tanto para ligar, mas ela tinha dúvidas, se realmente eles existiam ou teria sido fruto da sua imaginação.

A conversa se extendeu por quase 30 minutos, ela foi se acalmando e estava mais relaxada, quando Thomas perguntou a ela se eles a veriam novamente, mas em circustâncias normais desta vez.

Ela esperava por isso, mas ao mesmo tempo não, gostaria de continuar essa história com eles, é claro, tudo foi maravilhoso e deixar isso de lado realmente seria um desperdicio total. Disse sim, é claro, mas teria agora seria diferente, se preparar para a viagem, comprar as passagem e embarcar num avião e não utilizar um espelho como meio transporte! Esperar pela próxima  oportunidade,, ela tinha gasto todo o tempo de férias nessa maluquisse… Mas agora era diferente, Thomas e Sarah tinham agora uma historia para ser vivida e Violet também. E estavam prontos agora para isso.

Na vida, na nossa vida, no dia a dia, muitas vezes esperamos por um final feliz, como nos filmes e livros, algo louco ou totalmente fantasioso atinja e nos remeta a uma experiência, principalmente amorosa, onde possamos viver com intensidade todos os momentos.

Muitas vezes essas surpresas acontecem e não nos tocamos de quão maravilhosa é. Não atemos nos aos detalhes incríveis, as situações, as “coincidências” do momento, muitos desses, não gostariamos de estar vivendo, como um pneu furado, um voô cancelado, um relacionamento desfeito e tantos e tantos outros. Mas as possibilidades são infinitas e os sonhos, devaneios ou desejos profundos estão lá. Bem lá dentro do nosso coração, esperando o momento certo para se realizar, o momento onde acreditamos em sua realização.

Muitas vezes eles surgem nesta forma doida, mostrada nesta estória, onde Sarah, na ansia de saber o significado daquela visão tida a tanto tempo, levou-a a viver uma aventura como essa.

A visão foi transformada numa desculpa, pois o real, a realidade viviada por ela era o fim, a finalidade, ou o seu sonho mais profundo. A sensação sentida na visão era no final a sensação de ter chegado em casa, poder estar perto de alguém realmente importante e especial e dando-lhe de presente o que todos nós procuramos, ser aceitos como somos e poder experimentar o amor verdadeiro, a felicidade, nosso principal objetivo nesta vida, nossa busca mais profunda.

Ter a chance de viver uma aventura, ter coragem, mesmo que seja por um instante de ousar, de ultrapassar distâncias, físicas e mentais, poder voar alto e saber aterrizar suavemente, certa da alegria de pousar seus pés na areia da praia que é a nossa vida, na praia de Arpoador.

Sinta, sonhe, seus sonhos se realizaram quando você estiver pronta para eles.

Iniciar algo não é fácil

Muitas vezes começamos, deixamos de lado, para tentar mais tarde e esse mais tarde não chega nunca.

Será porque não queremos fazer ou porque temos medo de que não dê certo?

Iniciar algo não é fácil

É como começar uma dieta na segunda feira quando é domingo,  você faz mil planos para o dia seguinte, e esse amanhã não chega nunca.

Inciar algo não é fácil

Necessita dedicação, vencer medos, deixar a intuição te guiar, porque por mais planos que você tenha feito, o inexperado pode acontecer.

Se deixar levar na realização.

E quando enfrentamos, tudo  isso muda, o que parecia dificil não é tão dificil assim.

O que parecia impossível, se torna corriqueiro, porque você venceu seus medos e trouxe pra fora sua força interior.

Iniciar algo não é fácil, não é fácil, mas não é impossível…

Acredite, você pode!!

Ele fala baixinho…

No meio destas palavras

se encontra o seu nome.

No meio do entardecer,

O sol a se debruçar no horizonte

Me encontro na esquina, a andar e a sentir

Sua presença, sua energia.

Me pergunto:

Como sei tanto de você?

Se ainda não tivemos tempo pra saber da gente?

Sei tanto e você?

Do seu dia a dia de uma forma convencional.

Sei de você.

Sei de você porque o Mar me conta.

Sei aquilo, sinto e só te sinto…

E o coração conhece e sabe segredar,

E a gente tem apenas tem que escutar.

Ele fala baixinho,

Diz tanta coisa,

Se aperta de saudade,

Querendo os seus braços estar.

Te ter somente, te segredar segredos…

Te ter, pra ter, para os meus olhos ver, seus doces olhos de mar.

Seu sorriso luminoso e em seus braços

O Amor encontrar.

16/10/2000

Nesta tarde que se vai

Nesta tarde que se vai

Neste dia que veio

Meu coração se enche de saudades de você.

Meu pensamento voa..

Meus braços te alcançam no vôo imaginário

Ao abri-los caminhando pela rua.

Meu pensamento vai e chega à uma terra onde existem lembranças,

Onde sinto o calor de sua pele na minha.

Se sinto frio,

É so chegar perto de você para tudo ficar quentinho.

Tudo se tornar aconchego

Tudo ficar silêncio,

Tudo ficar em paz.

No seu abraço forte, macio

Me deixo levar

Neste mar,

Nas ondas,

Até me sentir UM com você.

Nov/2001

Sobre Deus e sobre as ondas

Sobre Deus e sobre as ondas, meu pensamento vai e leva no vento e ao vento a vontade de saber e conhecer a realidade das coisas. A sabedoria do tempo que só o tempo ao passar pela nossa vida vai traze-la para dentro de nós, para dentro do nosso coração.

Subitamente tenho vontade de dizer algo e simplesmente vou ao papel e passo tudo, como se tudo fosse e existisse simplesmente dentro de mim.

Se abre porta de conhecimentos, joga tudo, informações e vida sentida, apesar desta vida ser tão cotidiana, tantos dias iguais a tantos dias.

E tudo começa a girar, girar e a transforma a vida de tantas pessoas, pelo simples fato de mudar idéias, de mudar situações antes resolvidas, mas que no ar algo sempre ficava a duvidar.

Sensações em cada dia que amanhecia neste tempo de acontecimentos surgiram em minha cabeça, e a sensação de que algo iria acontecer para que transformasse tudo. E eu não sabia o que era, mas hoje passando tudo, ordenando tudo, vejo muito mais coisas do que antes. Minhas sensações, meus pressentimentos, minhas dúvidas, tristezas, esperanças, enfim sensações que ninguém nem mesmo eu conseguiam explicar. Assim me propuz ser uma observadora e isto me leva a várias conclusões.

Sobre Deus e sobre as ondas tenho que deixar meu pensamento ir e saber simplesmente que minha vida e meu amor por você é algo conhecido e desconhecido. E por mais que a distância seja firme em alguns momentos, meu coração veleja a procura do seu aconchego, não importando o que encontrará pelo caminho. Pois o sentimento,  a emoção, a sensação da sua presença é maior  que a distância, maior do que a magoa, maior do que não saber a verdade, da fuga, onde você se esconde de mim fisicamente, mas dos meus olhos que voam por todos os lugares não.

Há momentos que na minha oração e mais precisamente no meu silêncio, onde meu Mestre vem até mim, mais presente do que o ar que respiramos, a paz e a compreensão de tanta coisa me vem e de certo modo gostaria de sentir e jamais deixar de perder esta companhia a qual faço força todos os dias, largar meu coração e minha alma para serem guiadas e realmente ser meu ser um instrumento apenas.

O medo também existe pois se seu deixar tudo, soltar este sentimento vem a tona de uma maneira tão forte, e de repente as lágrimas se precipitam e vem aquela vontade incontida de gritar e berrar e soltar o clamor para o meu Mestre e meu senhor pedindo humildemente: O que há por detrás de tudo, porque é tão grande este amor? Quero fazer compreender que amo tanto meu amor, que há tantos sonhos  e quando estamos juntos tudo de fora parece não existir, meu Deus como é meigo meu amor, seu jeito, suas palavras engraçadas, suas mãos, que vontade de toca-las, que vontade de ficar perto do meu amor e paralisar e sentir o toque dos seus lábios nos meus, o toque das suas mãos no meu rosto, o toque do abraço gostoso e saudoso de tanto tempo.

A insegurança e as dúvidas, a vontade de somente escrever, me tornar uma mulher, se é que já não me tornei, pensativa, romântica, que não é presas por coisas deste mundo, presa apenas pelas lanças, das redes deste veleiro que navega pelo mar a procura do porto do coração do meu amor, e nesse dia de intensa paz, pois é só de paz que esse amor vai ser, na tarde iluminada e tão tranqüila, meu veleiro atracará e eu me enroscarei em ti e nós ficaremos simplesmente contemplando o horizonte agradecendo apenas o sorriso d’ELE.

Te amo para sempre…

Laura

Pedaço de vida.

Minha vida.

Pedaço do meu coração,

Da minha alma.

Olhos profundos

Profundos como o Mar.

Este mar que minhas lágrimas e meus pensamentos

Sempre tragou para dentro de si.

Filha amada,

Filha de pedidos,

Filha de passeios pela praia,

Filha que sempre existiu

Dentro de mim;

Antes de existir

Hoje.

Feita de beijos e abraços,

De carinho

De calma

De paz.

Trazendo para os meus olhos de poeta

A vontade de escrever

Aquilo que deveria Ter sido escrito há muito tempo.

Amiga do coração Mar

Pois seu coração também é

E sempre será seu.

Te amo antes de você se quer existir

O Sonho é a força

O sonho  é a força que move a vontade e o desejo de realização.

Nada é impossível se isso vem do coração.

Se esse sonho é cheio de amor e verdade,

Ele se realizará, não importando quanto tempo passe,

Não importando as dificuldades e tropeços,

As tristezas e as desventuras do caminho.

É através deste caminho que a vida te fará entender

Que para ele se realizar você precisa estar preparado para ele.

Você precisa estar pronto.

Você precisa aceitar e dizer:

Estou fazendo minha parte, estou indo ao seu encontro….

Agora é com Você…

Rodas

Há momentos,
ou talvez a maior parte do tempo,
minha mente pensa, quer achar uma saída
para problema…

Problemas existenciais, becos sem saída
Portas sem chaves,
sonhos loucos
montanha russa de emoções.
Pessoas me rodeando
Pensam de mim tanta coisa
gostariam de mim uma posição,
Mas minha mente,
meu sentimento, rodam.

Chega de mentiras!
Mentiras, tapa buracos,
remendos de situação.

O meu jeito dificil
a armadura contra a invasão
de um lado carente,
latente, carinhoso, apaixonado,
meu lado doce,
que o tempo fez com que somente
meu amor fosse capaz de conhecer.

Riscar, riscar
desenvolver raciocínios, luas e mares
lugares nunca antes conhecidos por ninguém.
Simples, o querer ser feliz!

Mágoas, tristezas, solidão.

Enfim, rodas de uma carruagem
dentro da bruma do dia que amanhece
a bruma do mar.

Eu sou uma Caravela

Eu sou uma caravela
Que navega através do mar.
Pelo tempo e pelo espaço.

O pôr do Sol nos meus olhos,
A paz do céu em envolvendo.

Navego milhares de quilometros
à procura do seu coração.
à procura do lugar onde a porta será aberta
E eu poderia saber realmente o caminho certo para entrar.

E eu sempre navegando pelo mar
Poderia fazer parte dele.
Como as estrelas do céu
Como seu sorriso e os seus olhos
E as ondas desse mar.

Esta Tarde

Naveguei pelo mar esta tarde.
Por suas águas verdes e transparentes.
Naveguei com meu pensamento,
Tal como a gaivota sobrevoando
E contornando a costa.
Sentido o perfume no ar.

Naveguei pelo mar
e o meu coração sentiu a emoção
E do meu rosto as lágrimas se precipitaram.
E senti me transformando também
em água salgada.
Fiz parte do mar assim.

Sou do Mar!
E o vai e vem no Savereiro.

A brisa, o sol no rosto
A vida.
Meus olhos são da cor do Mar!
Meu mar!
Meu pai do céu me envolve
E sou eu, nada mais.

Como posso sentir tudo isso?
Não sei

Como posso sentir tudo isso?
Que sou eu?
Sou a gaivota?
Sou a brisa?

Sou um navegante pela tarde
Da tarde, na tarde mais suave e infinita
E o sol se vai …

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